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segunda-feira, 27 de junho de 2011

AS LEIS JIM CROW






 

POR: ALEXANDRE MENDES

    Há certos momentos em que o ser humano necessita se organizar, avaliando determinados episódios da história, a fim de evitar repetidas tragédias e momentos críticos.

Sem dúvida alguma, foi o movimento negro (décadas de 50 e 60) que lutou por direitos civis no sul dos Estados Unidos, um dos maiores exemplos de coragem na conquista de um objetivo do século XX, desde o fim a Guerra da Secessão norte-americana (1865),  no pós abolição da escravidão no sul. No entanto, as autoridades sulistas conseguiram aprovar uma lei que pedia a segregação do espaço público, mas com "igualdade". Porém, isso só acontecia no papel. Nenhum hotel no sul aceitava hóspedes negros; as escolas eram separadas, a dos negros era bem inferior em todos os aspectos; a maioria dos bares e restaurantes não serviam negros; e nos ônibus, os negros só podiam se sentar nos fundos. Se o ônibus enchesse, ele era obrigado a dar seu lugar ao branco. Eram as leis conhecidas como "Leis Jim Crow".
 No ano de 1929, em 15 de janeiro, nasce em Atlanta, Geórgia, Martin Luther King Jr. Filho de um pastor, Luther King foi criado com seus dois irmãos, protegidos de todos os lados, por seus pais. Jamais deixavam os filhos pegar um ônibus, sempre tentando afirmar o valor que eles tinham, apesar da opressão aos negros.
Uma característica interessante, na pregação do já Pastor Luther King, era o incentivo para a comunidade negra lutar por seus direitos. Enquanto a maioria dos pastores negros falavam da salvação após a vida, ao invés de se preocupar com as privações que passavam em vida, Martin Luther King buscava conscientizar a comunidade negra do sul a lutar pelos seus direitos civis. Em 1º de dezembro de 1955, uma mulher, de nome Rosa Parks, ex- secretátia da NAACP (Associação Nacional para o Progresso das Pessoa de Cor) pegou o ônibus, na volta do trabalho (era costureira), e se sentou. O ônibus encheu e um branco lhe pediu o lugar. Então ela se recusou a levantar, e foi presa. Esse episódio foi o estopim para o avanço da luta pela revogação das Leis Jim Crow, por parte dos negros do sul norte-americano.
 Sob o comando pacífico (baseado na conquista dos direitos humanos através da não violência, de Gandhi), porém persistente, de Martin Luther King, as pregações vinham do fundo de sua alma, reivindicando a liberdade negra por completo, no sul. 

*_ "Eu lhes digo...", começava.
_ "Diga doutor" respondia a congregação.
_ "...Que qualquer religião que se diga preocupada com as almas das pessoas..."
"Sim, isso mesmo", era a resposta.
"...e não está preocupada com a miséria a que estão condenadas..."
"Amém, irmão!
"...e as condições sociais que as reduzem..."
"É isso aí!"
"...é tão árida quanto uma religião de pó".
"oh-hoh"
   Os negros fizeram um boicote aos ônibus do dia 5 de dezembro de 1955, até 21 de dezembro de 1956. Graças ao apoio das frotas de táxi negras (cobravam o valor da passagem do ônibus), o boicote foi bem sucedido. Com a pressão feita sobre o governo americano, conseguiram dar plenos direitos civis aos negros, no interior dos ônibus.
Em seguida, a admissão dos negros nas escolas públicas para brancos.
  O sit-in era uma forma de protesto, no qual os negros sentavam-se nos bancos de bares e lanchonetes, e diziam que só sairíam, se fossem servidos.
  É certo que houve represálias por parte da Ku Klux Klan, organização racista contrária aos direitos civis negros. Enforcamentos, mutilações, assassinatos e explosões.
  Luther King também tinha diversos inimigos no poder público, como o diretor do FBI Edgar Hoover; o chefe de polícia de Albany Laurie Pritchett; e o comissário de polícia de Birmingham Eugene "touro" Connor.
 Até conseguir o apoio de Kenedy, Martin Luther King Jr. já havia sido preso várias vezes, e sua casa explodida mais de uma vez. No entanto, até a sua morte, jamais abandonou a causa.
 Em 28 de agosto de 1963, os negros organizaram uma marcha até o Lincoln Memorial, em Washington, onde, exatamente cem anos antes, Abraham Lincoln havia assinado a abolição da escravidão nos Estados Unidos. A quantidade esperada de expectadores era de 100 mil. No final havia aproximadamente 250 mil negros e brancos de todos os credos, unidos pelo fim da segregação racial no sul.
A marcha pelos direitos civis foi determinante para a promulgação de novas leis no sul. Os negros também conquistaram o pleno direito ao voto, nesta data. Em seguida, Luther King Jr. continuou dedicando sua vida à comunidade negra local.

Luther King foi brutalmente assassinado, no dia 4 de abril de 1968, com uma bala no rosto, na sacada do Motel Lorraine. Ele iría discursar em apoio a greve dos garis da cidade de Menfhis. Sua morte causou uma revolta em todo o país.

    Temos um exemplo de persistência e coragem na luta por um objetivo. Devemos nos conscientizar do poder que temos, como maioria, contra os poderosos que se beneficiam das regras do capitalismo em nosso detrimento. Detrimento que é capaz de alcançar um homem, em seu interior. Um trabalhador oprimido, que necessita de "hora extra", ou "dobra", para garantir os seus direitos mínimos, pouco tempo tem para explorar seus talentos e habilidades. Pedimos liberdade do julgo que nos é imposto.

*Citação: Grandes Líderes, Editora Nova Cultural, 1987


2 comentários:

  1. Quando eu entrei na faculdade... isso já tem 10 anos, meu pai me deu um livro do Martin Luther King para ler.... não tenho como descrever a sensação de ler aquelas palavras que passaram a fezer todo o sentido do mundo em tão pouco tempo.....Valeu professor por essa postagem nota mil!

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  2. Esse texto é um dos meus preferidos

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